segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Chronos

O tempo não é linear... ele é como um rolo de filme... um quadro está sobre o outro... passado, presente e futuro se misturam... a roca do destino nunca deixa de fiar... a roda da fortuna nunca deixa de rodar... Eras dão passagem umas as outras... e a vida vai seguindo seu rumo... hoje não se reconhece mais o número do telefone, ou a voz do outro lado... mas se diz que sente falta, porque isso é convencional... e somos convencionais mesmo quando não somos... se diz que não esqueceu por comodidade... não é proposital, é humano... é comum... acostuma-se a determinadas atitudes com determinadas pessoas... acomoda-se a ter aquela pessoa que você já acha conhecer para segurar a barra... qualquer amigo pode fazer isso, mas nenhum deles têm a suposta obrigação que um companheiro tem... nenhum deles está disponível 48 horas por dia, 14 dias por semana, 8 semanas por mês, 24 meses por ano... não se percebe as mudanças, não se sente o cheiro do ar que entra e sai pelas narinas de maneira tão naturalmente involuntária... não se percebe o sabor de cada momento... tudo vai ficando igual... mesmo não estando igual... toda a magia vira rotina... às vezes sem sentimento... porque tudo realmente passa... nada se perde tudo se transforma... a cumplicidade de sussurros e juras, cede espaço aos conselhos, broncas e risadas amigas... mas o coração precisa de mais... as pessoas não perdem... seus sonhos adoecem... morrem... apodrecem... o fedor impestia o mundo... mas todos fingem não saber, não perceber... se acostumam com o processo... a vida passa a ser só isso... a humanidade sub-vive... é necessário que crianças batam palmas para que fadas não morram... Tudo é Ode a Banalinade... eu sou volúvel, inconstante, involuntária, travessa, inesperada... eu sou viva e vivo porque tenho vida... e sinto quando Gaia muda de fase... quando a Lua muda de máscara... sei quando meu tempo acabou... e o meu acabou... a foice ceifa o campo e prepara a terra para novo plantio... é o cio de Gaia... é um novo rumo no mesmo caminho... uma nova chance para que todos olhemos em volta e nos enxerguemos... aprendemos você comigo, eu com vocês, nós com eles, eles conosco... agora que já sabemos a lição, hora de pô-la em prática com quem é real e realmente está por perto para isso.


30/04/05 - Sonhadora

Um comentário:

Sonhadora disse...

Certas coisas não são convencionais, Malkia, e você é a prova disso. Creio que o problema real nem seja o fato de as pessoas não sentirem a magia como nós, mas sim o de eles não pronunciarem e viverem isso. Às vezes, absortos em seus problemas, os homens se esquecem de que algo maior está acontecendo enquanto isso. Eles sabem que o verdadeiro espetáculo está no palco mas não olham para os atores, porque estão cansadas cochilando na platéia, quando poderiam aprender a interpretar e fazer parte da peça. Pessoas como nós têm essa consciência de ator, e, acredite, isso nos basta, mesmo em momentos que sentimos falta de algo mais. Um abraço!

René Montserrat